Projeto Além das páginas: Autor Pedro Ivo.

Hoje, venho trazer mais um post do nosso projeto Além das páginas. Se você ainda não o conhece, clique aqui para acessar ao post de divulgação e entender como funciona. Bem, meus caros leitores, sinto-me um tanto “suspeita” para vir falar do autor o qual destinaremos este post: Pedro Ivo.  É que simplesmente o cara é O cara! Simpático, educadíssimo e de fortes ideais, claramente é daqueles que sabe o que diz, e que luta pelo que acredita. Encontrei uma forte identificação e evidente admiração no pouco contato, e não é exagero. Ele é uma das raríssimas pessoas que realmente carregam tais qualidade as quais citei. Não só um típico “falador”, mas aquele que diz sabendo O que diz. Em palavras do próprio autor, ele vê-se como um:

“Educador, pesquisador, militante por causas sociais, sonhador em busca de uma vida melhor para todas e todos. Acredito em fazer a minha parte e procurar contribuir pelo bem coletivo.” 

Uma série de questões formam um escritor. Em post anterior, a autora havia sido motivada por um ótimo educador, que a fez se apaixonar pela escrita. Hoje, temos um autor que viu um meio de expressar a sua vivência e suas negativas experiências. Algo que eu compartilho, quanto também as ter vivenciado em fase pré-adolescente pela identidade racial, o que acarreta ao entendimento às consequências drásticas que isso pode acarretar na vida de muitas pessoas, como lidar com uma série de complexos graves ou similares. Nem todos conseguem enfrentar tais situações da melhor forma possível. Haja vista, é nobre ter um autor que se coloque, como ele mesmo expõe,  a trazer experiências próprias e tentar ajudar aqueles que ainda vivenciam tais dramas a superarem-os, a aprenderem a lidar da melhor forma, não deixando quaisquer resquícios, ou em mínima interferência:

“Percebi que escrever era algo pra mim na universidade. Cursei Letras e percebi que minha expressividade era melhor por escrito que nas relações sociais diárias. Isso se deveu a experiências negativas sofridas na adolescência contra minha identidade racial e de orientação sexual e que refletiram na minha vida adulta, o que trouxe entendimento acerca do mundo (sobre suas tristezas, hipocrisias, mas também alegrias). Comecei, assim, em 2007, um processo de 7 anos de escrita do livro “Espelho das Cores”, juntamente com poemas, publicados em um segundo livro este ano, “Amores, Angústias e Flores”, ambos refletindo essas vivências por que passei, além de transformar igualmente em literatura experiências vistas e ouvidas todos os dias de pessoas próximas ou não a mim, sempre associado ao conhecimento teórico que estava obtendo naquele período. Nesse meio tempo, percebi que mais que um sonho próprio escrever era um meio de alcançar aqueles e aquelas que passaram ou estão passando pelos acontecimentos negativos em minhas vivências, a fim de fortalecer identidades, autoestima, senso de humanidade nas pessoas, principalmente as que tiveram experiências como as minhas.”

Sabe quando te dizem que sonhos podem custar caro? O autor nos prova que sim. Como posto, uma realidade o qual presencio ao conversar com alguns autores, são os custos altos para conseguir a publicação. E quer coisa pior? A dificuldade de inserção no mercado e de conseguir conquistar o público, mesmo as obras sendo boas e super bem produzidas. Uma trajetória exaustiva para os autores, não? Assim expressa o escritor Pedro Ivo sobre sua trajetória:

“Comecei, como disse, em 2007, com o projeto do primeiro livro. Nesse processo, parei, retomei, desisti, quis jogar fora, recomecei. Após 7 anos, vi a obra concluída, mas outra luta se iniciou: a da publicação. Mandei os originais para diversas editoras, as quais negaram. Inclusive as que acharia que de cara aceitariam – porque publicavam literatura LGBT, e meu livro tratava sobre relacionamentos homoafetivos – também a negaram sob as desculpas mais genéricas… Foi a última editora que aceitou, entretanto mediante um contrato em que os custos da produção de tiragem era totalmente a meu cargo – e isso é uma realidade em todas as editoras que trabalham com autores novos, variando o preço que esse autor paga pela sua tiragem impressa. Como não sou nenhum youtuber que decidiu escrever qualquer coisa aproveitando a visibilidade na Internet e o número de “likes”, ou alguém com expressivo nome no cenário literário, acadêmico ou virtual, nenhuma editora se propôs a assumir os custos da obra. Paguei pela produção. Não me importava que pagasse; queria ver o meu sonho realizado. Sou um escritor com obras publicadas, com um sonho realizado e não me arrependo disso, independente de minhas obras terem ou não tido expressividade nacional. Posso até dizer que teve alguma: entrevistas pra jornais online; indicação ao Prêmio Papomix da Diversidade 2016, em São Paulo, na categoria literatura LGBT… Reconhecimento acadêmico, com minha obra sendo usada em disciplinas de extensão e de cursos de graduação na UFG e na UnB; reconhecimento da UEG, em que atualmente sou mestrando, com um convite para lançar meu livro lá; reconhecimento do Movimento LGBT de Brasília, com um convite pra compor uma mesa-redonda de escritores LGBT. Acho tudo isso muito legal, mas sem a expressividade no cenário nacional. E por quê? Por que não foi uma grande editora que publicou a obra, meu tema e meu nome não lhes dá dinheiro. Não posso julgá-las, quem tem uma empresa quer ver seu produto no mercado. Comigo isso não iria acontecer.”

E, posta a indagação que eu mais gostei aliás em todo o projeto, quanto os problemas da  literatura nacional, vemos um forte posicionamento (avisei-os que ele falava, e com plena noção do que dizia). Um educador de sólida carreira, com buscas constantes pelo seu sonho de escrever cada vez mais, deparamo-nos com seu posicionamento quanto a força da literatura, mas a problemática do “sucesso” fácil. Ou seja, o mercado insiste em lançar obras daqueles que já tenham sucesso, e que, não desmerecendo, muitas vezes perdem e muito em conteúdo para obras que poderiam ser grandes sucessos, mas não são de autorias famosas antes de sua publicação. Ter um renome já é evidencia de apoio na literatura, e não a atenção à obra, efetivamente. A problemática é exposta, na íntegra, pelo autor, nos seguintes termos:

“A literatura nacional é grandiosa, instigante, maravilhosamente bem-construída e com grande expressividade internacional. O que ainda me incomoda são os supostos “novos escritores de literatura”, que sem conhecimento algum sobre o que signifique a literatura nacional para o País ou sem qualquer conhecimento teórico literário, são lançados pelo mercado e passam a viralizar sob a condição única de que estão “dando retorno” para este mercado. Qualidade literária? Problematização social? Conceito artístico? Não, isso não é necessário para o mercado literário. Faça um canal no Youtube de humor; faça as pessoas rirem com boçalidades; tenha condições de “discutir” com princípios bem conformistas ou discursos banais sobre qualquer assunto atual na Internet, ou ainda viver de “crítica literária” sem embasamento algum senão sua própria opinião, e ganhar centenas seguidores, pronto! Receita mágica para vender e tirar o mercado literário nacional da crise em que se encontra. Felizmente não vivo de literatura; sendo de origem pobre e de periferia, galguei com muito esforço o espaço acadêmico e um lugar na área educacional como profissão. Escrever para mim é um sonho realizado e que pretendo levar adiante, sem pretensão de alterar algo no mercado literário… Este mercado é o que é e tem suas próprias leis para sobreviver. Penso que não são as questões de mercado que têm de mudar, mas os escritores independentes que precisam se organizar e mobilizar para trocar informações, conhecimentos; construírem algo juntos em prol de si mesmos, estejam trabalhando qualquer temática que lhes seja conveniente, porém com senso de ajuda mútua. Admiro as editoras independentes e grupos de escritores independentes que trabalham conjuntamente em benefício da literatura nacional e não do mercado. Certamente que, vivendo numa sociedade capitalista, a questão mercadológica e o tão esperado “sucesso” por algo que se produziu são esperados. Quem sabe, com essa perspectiva independente, não consigamos fazer com que mercado e qualidade literária andem juntos? Ainda não saberia responder a essa questão…”
Bem, se você ainda não conhece o autor Pedro Ivo, não deixe de conhecer nosso post de apresentação à ele, clicando aqui. Deixo abaixo a sinopse de suas obras:
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Sinopse “Espelho das Cores”:
O livro traz a história de Gabriel, um adolescente comum que vai à escola, frequenta um grupo de jovens da igreja e perturba-se com a descoberta da paixão, causando um conflito inesperado entre sua sexualidade e as convicções de sua religião. Entre segredos prometidos e traições inesperadas, essa história trata sobre a descoberta da sexualidade e o conflito amoroso, religioso e familiar. Escrito em múltiplas linguagens e por diversas vozes, o romance dialoga com a atualidade em busca do entendimento do outro, da compreensão humana, que vemos cada dia menos acontecer.
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SINOPSE: Amores, Angústias e flores: poesias escolhidas.

 “O livro surge anos após o desenrolar dos fatos vividos no romance Espeho das Cores pela personagem Gabriel, tornando-se um compêndio de poemas que traz a vivência e o desenvolvimento de sentimentos e conflitos da adolescência à idade adulta, por meio de temas ligados à juventude, sexualidade e raça, envolvendo seus desdobramentos. Idealizações e desilusões amorosas, conflitos individuais e sociais, percepções positivas e negativas da humanidade buscam dar o sentido existencial do eu lírico, que busca seu lugar no mundo.O lançamento oficial de Amores, Angústias e Flores: poesias escolhidas foi realizado na 24a Bienal do Livro de São Paulo, no estande da Editora PerSe, com sessão de autógrafos.

Beijos, Vanessa.

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